igreja cristã maranata – Eu vi com meus próprios olhos toda sorte de preconceito: discriminação em razão da cor da pele; discriminação de pessoas portadoras do vírus HIV; discriminação de pessoas divorciadas, pastor “sugerindo” que os irmãos votassem em determinado candidato

Pessoal, gostaria de deixar o meu depoimento. Como não sei como postar, vou deixar por aqui, pode ser? Depois o responsável pelo Blog inclui onde achar melhor.

Vamos lá:

A minha mãe começou a freqüentar a ICM na cidade de São Paulo (a famosa “Igreja Central”, como era chamada na época) depois que o meu pai faleceu por volta dos anos de 1987-1988. Eu tinha sete anos de idade na época. Posso dizer que cresci na igreja e me desliguei totalmente apenas no ano de 2006, quando me tornei membro da IPI (Igreja Presbiteriana Independente).

Portanto, conheço bem a ICM e suas doutrinas equivocadas e distorcidas. Neste tempo que estive por lá vi muitas coisas absurdas acontecerem e presenciei atitudes e comportamentos por parte da liderança totalmente incompatíveis com os ensinamentos cristãos. Eu vi com meus próprios olhos toda sorte de preconceito: discriminação em razão da cor da pele; discriminação de pessoas portadoras do vírus HIV; discriminação de pessoas divorciadas, pastor “sugerindo” que os irmãos votassem em determinado candidato, etc, etc.

Isso, meus caros, sem contar o preconceito escancarado e absurdo contra as mulheres, que são tidas como seres de um grau inferior. Não são dignas sequer de subir ao púlpito (restrição que não se aplica à cúpula da igreja, porque a cúpula é “espiritualmente mais elevada”, o que torna algumas mulheres milagrosamente “assexuadas”).

Neste tempo todo muitas foram as histórias acumuladas que este espaço se tornaria pequeno demais para que fossem todas elas narradas. Vou compartilhar aqui algumas delas.

Em certa ocasião eu levei na igreja para emprestar para uma irmã dois livros de ficção que eu havia lido na escola (sabe aqueles livros extra curriculares que temos que ler no colégio?). Por um lapso, eu esqueci o livro no banco da igreja no domingo de manhã e eles acabaram sendo “confiscados” pelo pastor responsável na época pelos “Adolescentes”. O pastor acabou comigo em público e com todos os adolescentes na época. Lembro-me até hoje daquela humilhação.

Não podíamos ler livros de qualquer tipo. Estudar Teologia? Nem pensar. Afinal, “a letra mata, mas o espírito vivifica” Qualquer semelhança com a Idade Média não é mera coincidência… Aliás, soltar versículos bíblicos fora do contexto é especialidade da ICM

Em outra ocasião, eu fui cair na besteira de ir à madrugada com o meu uniforme da escola (na época eu cursava o 3º ano do ensino médio). Fazia isso porque não dava tempo de ir à madrugada e depois voltar em casa para trocar de roupa. Claro que o uniforme escolar consistia em uma camiseta e uma calça de moletom com o logo da escola. Para minha surpresa (e indignação) um dos diáconos me chamou para uma conversa e disse que eu não poderia usar aquela roupa. Disse que caso eu fosse obrigada a usar o abrigo de moletom eu deveria colocar uma saia por cima da roupa (pode????). Se eu insistisse em ir à madrugada com aqueles trajes eu perderia a função de instrumentista na igreja.

Resultado: não pude freqüentar mais às madrugadas.

Foram tempos difíceis. Não se podia questionar nada. Tive que viver praticamente a minha infância, adolescência e juventude sendo julgada por aquelas pessoas e no completo silêncio.

Eu sempre questionei internamente todos esses dogmas absurdos da ICM (Clamor pelo Sangue; Consulta à Palavra, Supremacia da Revelação, etc, etc) e a falta de amor e tolerância com as pessoas, mas sempre que me pegava questionando a igreja, seus dogmas e doutrinas, temia que algum mal me ocorresse (afinal, alguém sempre acabava soltando: Cuidade: “Você está blasfemando contra a Obra”; “Não toque no Unigido do Senhor, etc, etc).

Apesar de ser instrumentista, eu nunca me adeqüei totalmente ao sistema da ICM. Eu sempre fui uma pessoa mais reservada e por conta disso não costumava usar os “jargões” da denominação (“Misericórdia!!”; “Varão Valoroso”; “Glória Jesus”; “Esta obra Maravilhosa”; “igreja Fiel”; “Glória Jesus”, etc).

Não preciso dizer quantas vezes fui chamada para passar no grupo de intercessão por conta da minha “apatia”. Sempre tinha um irmão ou irmã que se achava no direito de falar algo negativo sobre a minha pessoa como se tivesse sido dito pelo Espírito Santo. Eu, tonta na época, ficava tentando procurar me examinar para ver o que eu estava fazendo de errado e muitas vezes não conseguia entender aquelas revelações sobre a minha pessoa. Sempre me senti um peixe fora dágua. Sentia-me excluída por nunca ter visto nenhum “anjo dourado”. Conforme fui amadurecendo, Deus começou a me mostrar que ali não era o meu lugar. Foi quando tomei coragem e fui conhecer outra denominação. Hoje posso dizer que há vida pós ICM.

Demorei muito para tomar esta atitude e, infelizmente, ainda tenho muitos familiares por lá. Mesmos com todos esses escândalos as pessoas continuam a seguir os ensinamentos e doutrinas equivocadas da igreja e é muito difícil convencê-las do contrário. Quem já foi de lá sabe bem do que eu estou falando.

Não sei como está agora, mas ainda convivo no meu trabalho com alguns “Maranatas” e vejo que a ditadura continua. Eu tenho seqüelas e vícios até hoje e confesso que estou reaprendendo o que é ser verdadeiramente cristã.

Para os que ainda estão por lá eu peço que reflitam. Jesus Cristo ensinou o que é o AMOR e o PERDÃO. Foi o próprio Senhor Jesus que nos ensinou a amar o próximo e não julgar as pessoas.

O preconceito, a discriminação e o sectarismo religioso não são compatíveis com a fé cristã e com uma vida nova em Cristo Jesus.

Acredito que Deus permitiu que todo o escândalo com a Maranata viesse à tona para abrir os olhos de muitos. Para os que ainda estão por lá, lembrem-se: Quem crucificou Jesus foram os religiosos sectaristas da época, justamente aqueles que não admitiam que seus dogmas fossem questionados.

Cristo conviveu em seu tempo com a diversidade e jamais outorgou mandato a qualquer grupo ou denominação. Manteve sempre diálogo com grupos de diferentes pessoas.

E se ainda resta alguma dúvida, lembrem-se dos Crentes de Beréia: (…) Ora estes de Beréia, eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a palavra de Deus, com toda a avidez, examinando as escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de fato assim”. Atos: 17:11 Á paz.

fonte: http://obramaranatarevelada.wordpress.com/2012/12/18/igreja-crista-maranata-lembremos-as-fases-do-tsunami-o-mar-de-quarenta-e-quatro-anos-de-lama-esta-se-afastando-formando-as-imensas-ondas-muitos-estao-se-apercebendo-do-que-esta-acontecendo-morme/#comment-4565

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