Carta de Hugo Gueiros Bernardes Filho, Sub Procurador Geral da Republica direcionada ao Conselho Presbiteral da igreja cristã maranata

Carta de Hugo Gueiros Bernardes Filho, Sub Procurador Geral da Republica direcionada ao Conselho Presbiteral.

 

Caro Pastor e Presbítero,

Ofereci-me para falar em nome de pessoas que, em sua maioria, desejam permanecer na Igreja Cristã Maranata, mas estão envergonhadas e tristes com o anunciado desvio de dinheiro e com novas ou antigas práticas do Presbitério e da Fundação, que não são bem conhecidas.

Soubemos que o novo Conselho Presbiteral irá apreciar meu requerimento, daí esta correspondência individual a V. Sa., ilustre Conselheiro (em anexo único, reenvio as questões que compõem esse requerimento).

Talvez alguns dos ilustres Conselheiros estejam propensos a me ver como inimigo pela simples iniciativa de fazer perguntas, o que não parece usual. Acreditem: é o contrário. Tenho a ambição de manter muitas pessoas na nossa Igreja.

Só que os irmãos querem informações fiéis. Cobram a mesma fidelidade que deles se exige por intermédio das seguidas Videoconferências.

Não poderei comparecer pessoalmente. Fui gentilmente convidado pelo Pastor Gedelti a viajar a Vitória e tomar ciência de tudo quanto for do meu interesse, acompanhado de uma ou mais pessoas.

Contudo, espero a compreensão de todos no sentido de que represento pessoas que aguardam um pronunciamento oficial acerca das perguntas. Elas não querem a simples apreciação superficial de documentos por parte de um grupo, mesmo que eu o componha.

Aliás, nem nos convém estar no Presbitério e apreciar documentos. Dias e dias seriam necessários para ver tudo e decerto muitas outras coisas não seriam vistas. Fora daí, o momento é delicado e pessoas de Brasília, em particular as que detém cargos públicos, naturalmente evitam contato com o Presbitério.

Uma coisa parece certa, considerando as circunstâncias. Se as perguntas que os irmãos fazem não forem respondidas (ou pior: se forem ridicularizadas), difícil será a alguns pastores daqui e daí, talvez até mesmo a V. Sa, subir ao púlpito nos próximos meses.

Prestar esclarecimento aos irmãos que, com muita dificuldade, pagam seus dízimos, não pode ser obra do “adversário”, como se procura ensinar. Considerá-los pessoas ignorantes ou maliciosas, que terão “olho gordo” se tomarem ciência de qualquer valor também não seria um argumento razoável. Aliás, o olho gordo transitou confortavelmente por aí, pelo que tem sido amplamente noticiado e já parece reconhecido por todos. Curioso é que agora as informações circulam livremente entre contadores, advogados e empresas de auditoria, todos estranhos à Igreja.

Se V.Sa. votar contra a divulgação das informações, o Brasil e o mundo naturalmente serão conduzidos, no mínimo, a uma dúvida sobre ligação entre V. Sa. e o responsável (ou os responsáveis) pelo que aconteceu. Segundo o dito popular: notícia ruim corre rápido.

Tudo que lhe pedimos é que deixe agir a sua consciência – segundo a sã doutrina que, supomos, lhe foi ministrada desde a juventude – ao invés de jogar no lixo nosso requerimento de informações. V. Sa. é dirigente constituído do Presbitério, responsável perante Deus e os homens por seus atos e omissões.

Não permita, peço-lhe encarecidamente, a presença e a participação do antigo Conselho, ou Comissão, na importante decisão que V. Sa. irá proferir.

Atenciosamente,

Hugo Gueiros Bernardes Filho

ANEXO ÚNICO.

Eis as informações que pedimos, na suposição de que a elas temos direito:

Registro (ainda que simplificado) de patrimônio e movimentação, que possa ser facilmente lido e compreendido, do qual conste, em relação a cada Igreja, bem como ao Presbitério e outros órgãos da Igreja, ou ligados à Igreja, especialmente a Fundação:

• Valores dos dízimos e ofertas arrecadados (valores globais)
• Valores dos investimentos e despesas realizadas (valores dos grandes itens)
• Valores que são repassados ao Presbitério (ou a qualquer outra entidade, como a Fundação) e valores que permanecem na Igreja local
• Registro do patrimônio (basicamente, bens, receitas e dívidas) da Igreja e entidades ligadas, como a Fundação.
• Pessoas físicas ou jurídicas que receberam doações e empréstimos, com seu valor (e registro dos empréstimos que foram solvidos).
• Pessoas físicas ou jurídicas que receberam valores a título de prestação de serviços, compras ou vendas de bens, em caráter contínuo ou de valores superiores a R$ 200.000.00.
• Forma de cálculo do preço, ou forma de concorrência, que a Igreja adota para a aquisição de bens e serviços (inclusive aluguéis e realização de todo e qualquer tipo de contrato)
• Como se estabelece a eventual preferência para membros da Igreja, ou pessoas a eles ligadas, ou por eles indicadas, nessas aquisições.
• Outras informações que possam ser relevantes à comunidade dos membros acerca do uso do dinheiro da Igreja Maranata.
• Razões para que a Igreja apenas agora tenha movido ação contra administrador seu, segundo o noticiário da Imprensa. Os desvios realmente remontam a anos atrás? Quem foram os autores das primeiras denúncias?

Pergunto, ainda:

1. Quando se realizam as assembléias de prestação de contas e como os membros da Igreja local podem fazer para efetivamente participar?

2. Quem são os advogados, contadores e quais os profissionais que influem na administração da Igreja e Fundação e por quanto tempo foram contratados? Qual o custo (mensal ou fixo) quais as suas atribuições e quais os critérios para a sua escolha? Pede-se esclarecer se advogados de pessoas demandadas pela Igreja em juízo, ou extrajudicialmente, foram contratados pela própria Igreja, e porquê.

3. Quando foram (ou serão) contratadas de auditoria externa, o que lhes foi ou será pedido, especificamente, como objeto do seu trabalho? Qual o custo e quais os critérios para a sua escolha?

4. Os membros afastados da antiga administração da Igreja continuam representando-as, no Brasil e no Exterior, ou opinando sobre os assuntos administrativos, por si ou por pessoas intimamente ligadas?

5. O pastor ou membro do Conselho da Igreja responde pela irregularidade da qual tenha ciência, não divulgada e mantida apenas entre os dirigentes? (observo que não desconheço a lei, mas quero saber qual a opinião dos responsáveis).

6. Há alguma norma que proíba a utilização do valor dos dízimos recebidos nas igrejas nas necessidades das próprias Igrejas? Qual é, especificamente?

7. É condizente com as normas da igreja “apelo” para realização de ofertas para a compra de quaisquer bens ou serviços da Igreja, para que com isso não se gaste o valor dos dízimos e ofertas remetidos ao Presbitério?

8. A igreja mantém o trabalho voluntário, sem remuneração direta ou indireta, para todas as funções da igreja, como foi constantemente anunciado nas igrejas e encontros/seminários (Maanains)? Foram criadas exceções? Quando? Qual o valor da retribuição?

9. A Igreja, quando contrata prestadores de serviços e vendedores de bens (pessoas físicas ou jurídicas) realiza concorrências para a aquisição de bens e serviços (inclusive aluguéis e realização de todo e qualquer tipo de contrato)? Quem tem concorrido? Como se faz essa concorrência? Quais as regras? Quais as exceções?

10. Há alguma norma que proíba aos Pastores, e demais irmãos responsáveis pelas finanças de uma Igreja, a divulgação entre os membros da própria Igreja do valor dos dízimos/ofertas recebidas e dos gastos ali efetuados?

Dignifique a obra de Deus com a verdade, é o pedido que lhe faço.
Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós.

Hugo Gueiros Bernardes Filho

fonte: http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2012/03/o-clamor-publico/